Faça sua dor dançar

  Fazer a dor dançar. O que seria isso? Já tentei explicar pra um amigo meu mas não sei se consegui. Vou tentar explicar aqui.
 
 Mas antes de dizer o que é isso, vou dizer o resultado disso, que é a melhor parte: faça sua dor dançar e vai encontrar felicidade mesmo quando tudo não estiver perfeito - ou seja, sempre.
 
Então, vamos lá. Fazer a dor dançar, 101:
Aproveite tudo de ótimo que você tem na vida, sempre. E quanto àquelas coisas que não vão tão bem, aprenda a vê-las com um pouco de poesia, um pouco de reticência, um pouco de expectativa (se ainda não teve final feliz é porque ainda não terminou), um pouco de esperança, e até um pouco de suspiros bons. Consiga lembrar e achar graça, encare e aceite como parte da vida, e dependendo vai dar até pra achar interessante. Mas isso tudo, por favor, sem resignação - que resignação pra mim, é pior que a morte.
 
 Fazer a dor dançar não significa gostar da dor, que isso deve ser até algum tipo de transtorno. Fazer a dor dançar é sim, continuar lutando pra transformar o que está doendo em algo que seja bom, mas enquanto isso, conseguir ver o lado interessante da dor, o lado poético da dor, o lado bonito e por que não dizer, o lado bom da dor - nem que seja que ela existe para te permitir apreciar tão mais(!) quando não estiver mais doendo.
 
----------------------------------------------------------------------
 
 Tem um exemplo muito bom disso no meu beloved "Pride and Prejudice" ("Orgulho e Preconceito"), de Jane Austen. No capítulo 24 (ou o 1o capítulo da 2a parte), quando Jane está sofrendo por amor, o pai das meninas diz a Lizzy:
 
"So Lizzy", said he one day, "your sister is crossed in love, I find. I congratulate her. Next to being married, a girl likes to be crossed in love a little now and then. It is something to think of, and gives her a sort of distinction among her companions."
 
 Tadução livre minha: "Então Lizzy", disse ele um dia, "sua irmã está sofrendo por amor, acredito. Eu a parabenizo. Logo depois de "ser casada", garotas gostam de sofrer um pouco por amor de vez em quando. Dá a elas algo em que pensar, e um certo destaque entre as amigas."
 
 Ha ha. Ah, Jane Austen entendia de fazer a dor dançar.
 
-----------------------------------------------------------------------
 
A propósito, essa frase exata, como usei no título do post, retirei da 1a música do cd novo da Marisa Monte, que colocou em palavras exatas algo que eu já pensava e fazia há muito tempo.

Comentários

  1. Concordo plenamente com a parte da resignação ser pior do que a morte.

    Um abraço,
    Hellen.

    ResponderExcluir
  2. Não é mesmo?? Abração, amiga! = )

    ResponderExcluir
  3. Que amigo burro, heim?!

    Gustavo. Rs....

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Deixe sua opinião ou simplesmente um "alô"!

Postagens mais visitadas deste blog

Teste sua sanidade mental!

Como limpar sua casa em 1 hora e 5 minutos!

A tática da bolsa